Curumim – A criança no discurso analítico
- Coordenação: Maria Antunes Tavares e Anna Luiza Almeida
- Periodicidade e horário: segundas e quartas terças-feiras do mês, às 20h45
- Início: 24/03
- Formato: on-line
Em 2025, trabalhamos o modo como a própria construção do fantasma na infância permite uma tramitação, um tratamento, do gozo que possibilita ao sujeito a produção de um sintoma que o enlaça ao Outro. No próximo ano daremos andamento à nossa pesquisa seguindo a pergunta que vem orientando nosso trabalho: “qual tratamento possível do gozo para não ser reduzido a um corpo?”.
O tema de trabalho da Nova Rede Cereda para o próximo biênio é “Comer: a pulsão oral na criança”. A pulsão oral é a primeira experiência que liga o sujeito ao Outro. É através da experiência de satisfação, surgida a partir da necessidade de alimentação, que o sujeito experimenta a ausência e daí a procura de uma nova satisfação sempre substitutiva dessa primeira experiência. Falamos de uma satisfação sempre substitutiva na medida em que ela aparece no lugar em que falta um objeto. Esse é o primeiro elo com o Outro e será a partir das ausências deste Outro, nesses intervalos de presença e ausência, que se precipita o desejo. Não se trata da procura de um objeto perdido uma vez que o objeto sempre esteve perdido.
Escolhemos uma frase de Lacan que nos pareceu abrir para uma nova perspectiva em nossa pesquisa – como abordar a pulsão oral para não ser reduzido a uma boca? A frase de Lacan é: “Não há fantasia de devoração […] que não consideramos implicar […] uma inversão […]”[1]. E nos perguntamos se podemos desdobrar dessas indicações algum ponto sobre a fantasia de comer, sobre ser devorado ou se fazer devorar pelo Outro?
Quais são as consequências dessa frase na clínica? Como essa frase nos orienta no tratamento do gozo que se encontra agindo sem que a criança possa subjetivar sua posição?
