- Coordenação: Maria Antunes Tavares e Anna Luiza Almeida
- Periodicidade e horário: segundas e quartas terças-feiras do mês, às 20h45
- Início: 11 de agosto de 2026
- Formato: on-line
Para o segundo semestre de 2026, daremos continuidade à nossa pesquisa seguindo a pergunta que nos orienta: “qual tratamento possível do gozo para não ser reduzido a um corpo?”.
Seguimos trabalhando o modo como a própria construção do fantasma na infância permite uma tramitação, um tratamento do gozo que possibilita ao sujeito a produção de um sintoma que o enlaça ao Outro.
Mas iremos recortar nossa pesquisa a partir das questões que a pulsão oral coloca na clínica com a criança e na adolescência.
O tema de trabalho da Nova Rede Cereda para o próximo biênio é “Comer: a pulsão oral na criança”. A pulsão oral é a primeira experiência que liga o sujeito ao Outro. É através da experiência de satisfação, surgida a partir da necessidade de alimentação, que o sujeito experimenta a ausência e daí a procura de uma nova satisfação, sempre substitutiva dessa primeira experiência.
Falamos de uma satisfação sempre substitutiva na medida em que ela aparece no lugar em que falta um objeto. Esse é o primeiro elo com o Outro e será a partir das ausências deste Outro, nesses intervalos de presença e ausência, que se precipita o desejo.
Não se trata da procura de um objeto perdido, uma vez que o objeto sempre esteve perdido.
Escolhemos uma frase de Lacan que nos pareceu abrir para uma nova perspectiva em nossa pesquisa: como abordar a pulsão oral para não ser reduzido a uma boca? A frase de Lacan é: “Não há fantasia de devoração […] que não consideramos implicar […] uma inversão […]”¹, que nos faz indagar se podemos desdobrar dessas indicações algum ponto sobre a fantasia de comer, sobre ser devorado ou se fazer devorar pelo Outro.
Interessa-nos seguir na investigação sobre a reversibilidade do lugar do objeto.
Quais são as consequências dessa frase na clínica? Como essa frase nos orienta no tratamento do gozo que se encontra agindo sem que a criança possa subjetivar sua posição?
Referências bibliográficas:
Gorini, Ligia. Manger: la pulsion orale chez l’enfant. Argumento para a 9ª Jornada do Instituto da Criança do Campo Freudiano. Disponível em: https://institut-enfant.fr/actualites/mangerla-pulsion-orale-chez-lenfant/.
ROY, Daniel. As crianças e seus objetos. Em: Revista Rayuela. (ainda não publicado).
Lacan, J. Le Séminaire, livre XII: Problèmes cruciaux. Texto estabelecido por J.-A. Miller. Paris: Seuil/Le Champ Freudien.
