Nosso ponto de partida é o seguinte: O Instituto não é Escola.
A Escola é uma instituição analítica, o Instituto, uma instituição para-universitária. Isto é uma “vantagem” para a Escola.
A Escola é uma associação regida pela lei; ela tem membros; seus membros têm direitos; para que esses direitos sejam compatíveis entre si, a suposição de saber é votada, valendo um voto tanto quanto outro; há permutação etc. É o regime universal do “para todo x”.
O Instituto não é uma associação; não tem membros; o saber está no cargo do comando; um voto não vale outro; o talento predomina, assim como o trabalho teórico, a competência intelectual, a pesquisa.
Sabe-se porque é necessária a Escola. Por que é necessário o Instituto?
Havia outrora a Sociedade Analítica e o Instituto. De um lado a associação de membros e do outro a instância dos didatas. No lugar deste binário, Lacan colocou a Escola.
Por que então reconstituir um novo binário? A mesma necessidade que levou Lacan em 1976 a renovar o Departamento de Psicanálise [da Universidade de Paris VIII] a fim de, cito, “estimular sua Escola, servir-lhe de aguilhão”.
Insistência de Lacan: renovar o Departamento (1975); querer e criar um DEA, um doutorado (1976), a Seção Clínica (1977).
O Instituto, eu o inventei a fim de prosseguir, na França e alhures, nessa via que é a de Lacan.
Por que isso é necessário? Porque o discurso analítico tende invencivelmente a se autodestruir. O saber suposto, que sustenta a psicanálise, também a corrói. Por isso é necessário um lugar a partir do qual o saber exposto venha lhe “fazer barra”.
O Instituto é esse lugar. Ali verifica-se, por excelência, a transferência de trabalho.
O Instituto conserva sempre algo de atópico. Quanto mais a Escola se particulariza, esboça os contornos de cada cidade, região, país, tanto mais o Instituto, em todos os lugares, tenta ser o mesmo – tal como o matema.
(Referência: Catálogo de Membros da EBP e Textos Estatutários – 2016; p.115 e 116.)