- Coordenação: Maria Antunes Tavares e Anna Luiza Almeida
- Periodicidade e horário: segundas e quartas terças-feiras do mês, 20:45, on-line
O núcleo Curumim começou a funcionar como núcleo de pesquisa sobre psicanálise com crianças logo depois da fundação da Escola Brasileira de Psicanálise em 1995, a partir do convite feito por Judith Miller a Maria do Rosário Collier do Rêgo Barros para participar da pesquisa do
Centro de Estudos e Pesquisa sobre a Criança no Discurso Analítico (CEREDA). O CEREDA se renovava nesse momento constituindo a Nova Rede CEREDA, uma das redes de pesquisa do Campo Freudiano, que iniciou suas atividades antes da fundação do ICP.
Em 1998 quando o ICP foi fundado o Curumim passou a fazer parte dos seus núcleos de pesquisa, articulando-se à pesquisa de outros núcleos que foram se constituindo. Desde o início, a questão da pesquisa em psicanálise foi colocada e o núcleo passou a funcionar na articulação entre os casos clínicos apresentados por seus participantes e os conceitos que iam sendo mobilizados para serem trabalhados. O núcleo teve como coordenadora em seu início e nos primeiros anos Maria do Rosário. Depois, o núcleo passou a ter uma coordenação conjunta de Maria do Rosário com Maria Inês Lamy. Atualmente, o núcleo é coordenado por Maria Antunes e Anna Luiza Almeida.
O Curumim tem tido uma participação ativa na pesquisa do CEREDA Brasil, compartilhada com outros núcleos dessa rede, que propõe um tema de pesquisa a cada biênio. Nos últimos anos, nos debruçamos sobre a questão da diferença sexual na infância, o lugar do mal-entendido familiar numa análise e a construção da fantasia na infância.
A partir destes grandes temas, percorremos textos, casos publicados e contamos com a elaboração de casos clínicos inéditos dos participantes do núcleo para avançarmos na pesquisa. Para o próximo biênio, o tema de trabalho proposto será sobre a pulsão oral na criança, sob o título “Comer: a pulsão oral na criança”.
Os núcleos se articulam à pesquisa da Nova Rede CEREDA localizando um traço próprio de pesquisa, uma pergunta que orienta o trabalho. Nos dois últimos anos temos nos guiado por uma pergunta extraída de uma conversação que tivemos no núcleo com Maria do Rosário, que é: “qual é o tratamento possível do gozo para não ser reduzido a um corpo?”
Em 2025, trabalhamos o modo como a própria construção do fantasma na infância permite uma tramitação, um tratamento, do gozo que possibilita ao sujeito a produção de um sintoma que o enlaça ao Outro.
Para o trabalho em 2026, damos um passo, perguntando: “como abordar a pulsão oral para não ser reduzido a uma boca?” Escolhemos para isso uma frase de Lacan que nos pareceu abrir uma nova perspectiva para nosso traço de pesquisa: “Não há fantasia de devoração […] que não consideramos implicar […] uma inversão […]”[1] e nos perguntamos se podemos desdobrar dessas indicações algum ponto sobre a fantasia de comer, sobre ser devorado ou se fazer devorar pelo Outro? Quais são as consequências desta frase na clínica? Como essa frase nos orienta no tratamento do gozo que se encontra agindo sem que a criança possa subjetivar sua posição?
