- Coordenação: Leonardo Lopes Miranda e Sandra Landim
- Comissão de coordenação: Camila Drubsky, Heloisa Shimabukuro e Ondina Machado
- Periodicidade e horário: segundas e quartas sextas-feiras do mês às 14h30
O Núcleo de Pesquisa “Clínica e Política do Ato” surgiu a partir de um Grupo de Trabalho que, em 2013, estudou o tema da violência para o ENAPOL. Esses estudos nos mostraram a relação intrínseca entre violência e ato. Violência não é um termo psicanalítico, no nosso arcabouço temos apenas a agressividade. Partimos para fazer essa diferença e nos depararmos com uma citação de Lacan onde ele situa a violência na perspectiva do gozo enquanto a agressividade está no campo das relações imaginárias. (LACAN, 1957-58, p.471).
Partimos dessa articulação e apresentamos o trabalho no Enapol. Entusiasmados com o achado, propusemos ao ICP uma Unidade de Pesquisa sobre o tema do ato, mas decidimos incluir, além da clínica, também a política porque sabemos que o passe, ponto nodal na nossa Escola, é um ato. Iniciamos a Unidade estudando os fundamentos que permitem pensar o ato na psicanálise como resposta à angústia. (TROBAS, 2002).
A cada ano nos dedicamos ao estudo do ato sob um determinado aspecto, sempre norteados pelos temas que orientam os eventos da nossa comunidade. Sob a coordenação de Leonardo Miranda a Unidade de Pesquisa se transformou em Núcleo de Pesquisa com a aprovação da diretoria e Conselho do ICP.
Assim, já tratamos da violência contra a mulher, contra crianças e adolescentes, tratamos o ato na assunção de gênero, na homossexualidade, no racismo e na responsabilidade social antirracista, na articulação com o falocentrismo, no momento da generalização da criança. Neste ano estamos articulando o ato com a não relação sexual.
A partir daí, antigas questões são revisitadas, seja com a ideia de lançar novos olhares sobre elas ou para reiterar aquilo que é terra firme para a psicanálise. Como Lacan aponta no capítulo XXII, “Paradoxos do ato analítico”, no Seminário, livro 16 (1968-1969), o ato psicanalítico apresenta-se como incitação ao saber.
Dessa forma, seguimos atentos às interrogações que se apresentam na clínica e na cidade, atualmente, percorrendo os embaraços que elas nos causam sempre à luz da clínica e política da psicanálise.
No primeiro semestre de 2026, pretendemos fazer um deslocamento: da passagem ao ato e do acting out ao ato psicanalítico, ousando ter como referência os primeiros capítulos do Seminário 15 de Lacan – O ato psicanalítico (1967-1968). Essa é a novidade que esse semestre traz. Seguiremos nos servindo das vinhetas trazidas pelos participantes e dos testemunhos de passe.
