- Coordenação: José Marcos Moura e Paula Borsoi
- Periodicidade e horário: segundas e quartas terças-feiras do mês às 19h30, presencial
O Núcleo de Psicose é um dos mais antigos do campo freudiano, já existia mesmo antes da fundação da EBP como rede de pesquisa clínica.
Na fundação do ICP essa rede de pesquisa foi alojada como Núcleo de Pesquisa da Psicose integrado aos outros núcleos A sequência do seu título “Psicose e Saúde mental” se deu na diretoria de Marcus André Vieira. Naquele momento, por volta do ano 2000, tínhamos muitos colegas que trabalhavam nos serviços de saúde mental e o núcleo foi um importante agregador. O Núcleo funcionava como um elo de renovação da pesquisa clínica no campo da psicose a partir de Lacan e fortalecia a clínica a partir da psicanálise presente nos dispositivos públicos de saúde mental.
Existiram vários desdobramentos nesse processo, muitas pessoas a partir das pesquisas desenvolvidas no Núcleo de Psicose e Saúde Mental passaram a frequentar a Escola e o Instituto, fato que se mantém até hoje. As políticas públicas mudaram muito desde a reforma psiquiátrica e atualmente verificamos um rebaixamento das discussões clínicas nesses dispositivos de saúde mental.
Até hoje temos notícias da potência desenvolvida nessas discussões clínicas com a forte presença da psicanálise e dos analistas da EBP e do ICP nas instituições. Há marcas desse processo em alguns serviços. Seguimos promovendo encontros abertos ao público com temas de interesse da Saúde Mental, centrados na discussão clínica da psicose, com uma presença marcante de pessoas vinculadas a serviços de saúde mental e que se interessam pela discussão clínica da psicose.
Recentemente desenvolvemos estudo teórico, procurando sempre articular com a clínica da psicose, como se manifesta hoje, de modo muito diferente de outrora. As modificações clínicas do sintoma nos empurram para tirar as consequências do ensino de Lacan, Miller e outros sobre o manejo clínico atual.
Este ano seguiremos interrogando a prática lacaniana sobre ter um corpo nas psicoses. Qual é o estatuto do corpo na psicose? Quais os resultados da foraclusão na constituição do corpo na psicose? Quais são os efeitos de phi zero no falasser?
O corpo do psicótico pode se apresentar por excesso ou por defeito, apresentando suas dificuldades na regulação do gozo nas bordas do corpo. Lacan utiliza o “espelho côncavo” como modelo e o associa ao primeiro narcisismo, onde o corpo é experimentado de forma mais “in-mediata”, ou seja, sem a mediação do Nome-do-Pai.
Se faz necessário destacar a importância de uma clínica das psicoses que considere a pluralidade dos tipos e a experiência do corpo em cada um deles.
Os fenômenos corporais no corpo do psicótico têm diversas apresentações:
- Invasão do gozo: o corpo pode ser experimentado como invasivo ou desregulado.
- Dificuldades na imagem corporal: o sujeito pode ter problemas com a própria imagem ou com os limites do corpo.
- Fenômenos de órgão ou hipocondria: o corpo pode ser foco de angústias ou fenômenos específicos.
A diferença está na forma como o simbólico “amarra” o corpo e regula o gozo. Na psicose, essa amarração é diferente, levando a experiências corporais distintas.
