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O Instituto da Clínica Psicanalítica do Rio de Janeiro (ICP-RJ) dedica-se ao ensino da psicanálise, assim como à pesquisa da qual este último é inseparável. O Instituto pertence ao Campo Freudiano, associando-se à Escola Brasileira de Psicanálise (EBP), à Associação Mundial de Psicanálise (AMP) e, em especial, à Seção Rio de Janeiro da Escola.

O ensino que interessa à psicanálise põe em jogo a experiência de cada um – enquanto analisante e/ou enquanto analista – seja a experiência daqueles que ensinam no Instituto, seja a daqueles que buscam este ensino.

O ICP-RJ procura sustentar o ensino de modo compatível com o discurso do analista, e não com o do mestre ou com o universitário, considerado por J. Lacan o menos propício à experiência psicanalítica. Em termos freudianos, trata-se de aprender a partir da psicanálise, não sobre a psicanálise.

A função do analista não se define por um saber adquirido e acumulado, a ser aplicado na clínica, mas por um desejo produzido na análise pessoal. Isso não significa, entretanto, que o psicanalista não precise saber nada, mas que o saber na análise se subordine ao desejo, tanto ao desejo do analista, quanto àquele cujo circuito o analisante instala ao longo da análise.

Os cursos e conferências do ICP-RJ visam ao ensino da psicanálise tal como preconizado desde sua fundação por S. Freud, que o considerava apenas uma das três vertentes na qual o interessado em seu exercício deveria se engajar, ao lado da análise propriamente dita e da supervisão ou controle, não menos essenciais e, sobretudo, enodados entre si.

Para o estudo dos textos de referência, – aqueles de S. Freud e de J. Lacan – o Instituto propõe um percurso de leitura definido, porém flexível, de acordo com o ponto em que cada participante se encontra em sua análise e seus estudos e sua prática.

No trabalho com os textos, o ICP-RJ segue a orientação lacaniana formulada por Jacques-Alain Miller a partir dos anos 1980 e prioriza a experiência clínica, a começar pelos casos de S. Freud que são trabalhados em disciplinas e cursos. O retorno a Freud empreendido por J. Lacan direciona parte do estudo, o qual compreende igualmente perspectivas mais recentes introduzidas pelo segundo ensino na experiência do inconsciente.

O ensino no ICP-RJ assume como premissas que a psicanálise depende do real, ao invés de ditá-lo ou determiná-lo, e que ela deve responder às mutações que repercutem no laço social, em geral, e, em particular, nas formas de mal-estar e sintomas com que se depara o psicanalista.

Com o intuito de recobrir o amplo escopo do ensino da psicanálise na orientação lacaniana, o ICP oferece uma variedade de atividades ou cursos, destinados à leitura de textos fundamentais, à exposição e ao aprofundamento de conceitos princeps, à atualização da prática clínica, a temas suscitados pelos impasses da civilização, a questões levantadas pela vida nas instituições e na cidade etc.

A proposta do Instituto consiste, por conseguinte, em um convite a trilhar as vias de um ensino comprometido com a ética da psicanálise e com a atualidade de sua práxis.

Angélica Bastos
Coordenadora da Comissão de Ensino do ICP-RJ

De acordo com a orientação lacaniana que norteia o ensino da psicanálise no ICP-RJ, a dita formação do psicanalista é, antes, um trabalho permanente sobre si, sobre os textos cruciais da psicanálise, rumo à Escola. Nessa direção, o Fundamental propõe um percurso de leituras formadoras. O conjunto de textos escolhidos se subdivide em casos clínicos de S. Freud e escritos de J. Lacan. Ao longo de seis semestres, a leitura de um caso da experiência freudiana e um escrito são emparelhados, com o objetivo de articular a prática clínica aos conceitos fundadores do campo psicanalítico. O sétimo e último semestre é reservado à escrita de um trabalho final, sob orientação de um psicanalista Associado do Instituto.

Esta série de cursos visa ao ensino oral de J. Lacan, publicado sob a forma de seminários. Desde o início ele interroga: “o que fazemos quando fazemos psicanálise?” Cada semestre é dedicado a um seminário, do qual se extraem alguns capítulos para a discussão com os participantes. O suplementar não requer que os seminários sejam estudados em progressão linear. A leitura de cada um deles vem atualizar a questão sobre o fazer do psicanalista.

O que é psicanálise? Se ela é uma práxis, teoria e clínica agem uma sobre a outra, seja na experiência de analisantes que somos, seja na condução de tratamentos. A cada semestre um conceito psicanalítico ou um tema clínico incontornável é estudado com o intuito de discernir como fazer existir o inconsciente e de circunscrever o que há de psicanalítico em nossa experiência.

A psicanálise muda ao longo do tempo. Às formas de mal-estar se acrescentam impasses na civilização, as apresentações dos sintomas se transformam. Os cursos livres elegem temas teórico-clínicos que suscitam investigação e demandam do psicanalista a interrogação do laço social. Espera-se que estes cursos proporcionem o aggiornamento tanto das ferramentas de leitura do analista, quanto da operação psicanalítica.

Os cursos de verão e inverno propõem um trabalho intensivo, com encontros frequentes durante um curto período. Com base em textos e temas que exigem do praticante elaboração e renovação de sua experiência, estes cursos percorrem o ensino de Lacan e a orientação lacaniana formulada por Jacques-Alain Miller.

As conferências e ciclos de conferências oferecidos no ICP-RJ trazem pontos cruciais tratados em um encontro pontual, com base na psicanálise em intensão, na vida nos dispositivos da Escola, nas instituições de saúde, educação etc., assim como na cidade. Seja na dimensão epistêmica, seja na dimensão clínica ou, ainda, na política, os temas destacam pontos pertinentes ao ensino e à transmissão da psicanálise.

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