- Coordenação: Cristina Duba e Christiane Zeitoune
- Periodicidade e horário: segundas e quartas sextas-feiras do mês às 16h30, on-line
Como psicanalistas praticantes na cidade, que participam e afetam a construção de políticas públicas em diversos campos, no âmbito da saúde, do jurídico ou da educação, como intervir? Qual é a resposta da política da psicanálise frente aos impasses de sua época?
É com essa proposta de acolher as questões e impasses com que se deparam os psicanalistas interessados nas questões suscitadas na interface Psicanálise-Direito e/ou que atuam no âmbito jurídico, tais como, Tribunal de Justiça, área de Segurança Pública, Sistema Socioeducativo, Sistema Prisional, que o Núcleo de Pesquisa em Psicanálise e Direito do Instituto de Clínica Psicanalítica do Rio de Janeiro (ICP-RJ) prosseguiu sua pesquisa, depois das aulas de Kant com Sade dadas por seu fundador, Romildo do Rêgo Barros.
Constituir um Núcleo de Pesquisa de Psicanálise e Direito no ICP foi uma aposta de que a Psicanálise, ao considerar o caso a caso, pode produzir a torção necessária no enlaçamento do singular ao universal possibilitando que no encontro com o Direito, como norma jurídica, possa ser incluída uma política que considere o gozo.
Por muitos anos sob a Coordenação de Romildo do Rêgo Barros percorremos também os textos lacanianos da criminologia, retomamos Kant com Sade, trabalhamos os conceitos de violência e lei. Foi o período de consolidação do Núcleo, sob a condução de Romildo.
Em 2012 Cristina Duba assumiu a Coordenação do Núcleo e ampliamos nossa investigação com debates sobre guerra e segregação, psicanálise e política.
Em 2018, como resultado das pesquisas que se produziram ao longo de alguns anos, foi publicado o livro “Segregação em tempos de guerra – Psicanálise na cidade”, que reuniu textos dos participantes do Núcleo e contribuições de alguns convidados sobre o tema.
Nos anos que se seguiram, a partir do nosso amplo programa de investigação em torno da psicanálise e a política, guiados pelo ensino de Freud sobre a psicologia das massas, segundo o qual o individual é social, e de Lacan sobre os coletivos ao longo de seu ensino, seguimos nossos estudos com o tema do negacionismo diferenciando-o do conceito de “negativa” (Die Verneinung), tal como elaborado por Freud. Tomando como fio condutor inicial da nossa investigação o estatuto da verdade para a Psicanálise, tratamos da questão da estrutura da verdade e sua relação com o real
Os textos que orientaram a nossa investigação foram além do texto freudiano “A Negativa” de 1925; o texto publicado nos Escritos “Introdução ao comentário de Jean Hyppolite sobre a Verneinung de Freud” e o artigo do Miller “Marginálias de Construção em Análise”, publicada na Opção Lacaniana nº 17 em 1996.
Iniciamos o ano de 2023 já com a colaboração de Christiane Zeitoune na Coordenação do Núcleo ao lado de Cristina Duba com a investigação em torno do tema do negacionismo do ponto de vista do sujeito em articulação com a leitura de Eric Laurent e Jacques Alain-Miller sobre o racismo, ali onde chegamos à noção de segregação e extimidade.
Em 2024, continuamos a partir desse ponto: segregação como efeito do discurso, segregação como efeito do discurso da ciência e a noção de extimidade em psicanálise.
Em 2025 dando continuidade à nossa investigação sobre segregação e gozo propomos pensar as formas contemporâneas de segregação como efeito da junção entre capitalismo e ciência que, com políticas segregativas e mercantis, promovem a destruição dos laços sociais comunitários; a desterritorialização e o genocídio. Qual é o lugar da psicanálise nesse debate?
A leitura que orienta nossa pesquisa nesse momento são capítulos selecionados de Extimidad – Los cursos psicoanalíticos, de Jacques Alain-Miller, bem como a discussão e construção de casos clínicos.
A proposta de pesquisa do Núcleo consiste em encontros on-line, nas segundas e quartas sextas-feiras do mês, no horário das 16:30h às 18h.
