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  • Coordenação: Bruna M. Guaraná e Tatiane Grova
  • Periodicidade e horário: às sextas-feiras quinzenalmente às 10h30

Por longo tempo o Práticas da letra teve o estatuto de Unidade de pesquisa. Desde o início sua proposta era a de fazer ressoar os aspectos da letra na transmissão da psicanálise. Essa ideia foi se consolidando no Instituto de Clínica Psicanalítica a ponto de a Unidade se tornar um Núcleo de pesquisa.

Sua primeira iniciativa, por volta de 2004, foi a de uma leitura do escrito “Lituraterra”, de Jacques Lacan, coordenada por Marcus André Vieira. Essa leitura, ao pé da letra, parágrafo a parágrafo, foi um exercício feito por alguns membros da EBP e jovens analistas que chegavam ao Instituto. A intenção era se debruçar no texto de Lacan para extrair da leitura de um escrito que não se esgota um saber com os tropeços de cada um ali presente. A iniciativa durou o tempo desta leitura, alguns semestres.

Em 2012, Ana Lucia Lutterbach Holck retomou a proposta da Unidade de pesquisa. Além dos Escritos e dos Outros escritos, o percurso passou a ser orientado pelos Cursos de Jacques-Alain Miller: A fuga do sentido, Um esforço de poesia e O Ser e o Um e pelo texto do mesmo período do último curso, “Ler um sintoma”.

As nuances entre falar/escutar e ler/escrever, tomadas como material de trabalho na psicanálise de orientação lacaniana, foram matéria de investigação nesse momento da Unidade de pesquisa, que visava a interpretação na prática analítica. Para tanto, um litoral entre psicanálise e literatura foi sendo delimitado à medida em que a ênfase da pesquisa se circunscreveu na leitura, escritura e poética.

Como ponto de escoamento deste percurso, em 2014 foi lançada a primeira publicação do Práticas da letra da série Andamento do ICP: Ao pé da letra: leituras e escrituras na clínica psicanalítica, organizada por Ana Lucia e Tatiane Grova.

Em 2021 é lançada a segunda publicação: Memórias perdidas no tempo, memórias escritas no corpo: psicanálise e práticas da letra, organizada por Ana Lucia e Bruna Guaraná. A ideia de registrar o percurso da pesquisa que vai se seguindo através das publicações continuou, assim como a pergunta por uma escrita que contemple o real.

Outros elementos e referências agregaram aspectos que não fizeram desaparecer o que veio antes, mas se fizeram incorporar para que não se perdesse o real em jogo. Entre esses períodos, o Práticas contou, junto com Ana Lucia, com a coordenação de Ana Tereza Groisman, seguida por Flavia Trocoli.

Em 2020, já como Núcleo de Pesquisa, houve uma nova permutação na qual Bruna Guaraná veio se juntar à Ana Lucia por um ano. Em 2021, a composição atual da coordenação se colocou: há a saída de Ana Lucia e a chegada de Tatiane Grova.

Desde o início, o fio do percurso do Práticas insiste no fato de que sua investigação “… se constitui em si mesma como uma experiência de leitura em psicanálise”[1]. O que se escreve em uma análise e quais concepções de letra percorrem o ensino de Lacan e são evocados na psicanálise de orientação lacaniana são as perguntas que guiam nossa investigação. Contamos, para isso, com a clínica, a escrita de fragmentos clínicos, os testemunhos de passe, a escrita de alguns autores e as conversações entre os Núcleos. O ICP e o Campo Freudiano são o nosso fundamento, do qual somos parte, e seguem nos conectando à questão, sempre atual, da transmissão da psicanálise.


[1] MACÊDO, L. F. “O incurável, essa usina”. In: HOLCK e GROVA, (Orgs.), 2014. p. 15.
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