Lacan inaugurou uma nova lógica de transmissão da psicanálise que propõe que seu funcionamento se oriente pela permutação das funções que são necessárias para a organização e o funcionamento da Escola. Deste modo, o que está no centro é a transferência de trabalho, que é o motor do trabalho. Embora o ICP não seja a Escola, ele se orienta pela Orientação lacaniana, uma vez que ele é essencialmente sustentado pelos membros da Escola e pertence à rede dos Institutos do Campo Freudiano. Esta rede foi criada por Judith Miller e Jacques-Alain Miller para ser um braço da Escola na cidade, um lugar de pesquisa e ensino da psicanálise que pudesse acolher as questões atuais.
O trabalho do Conselho do ICP-RJ se articula ao da diretoria, assim se pode favorecer um esforço de elaboração das atividades do ICP em direção ao Campo Freudiano, origem e endereçamento do Instituto. O desafio é o de manter viva a Orientação lacaniana, marca da transmissão de Jacques-Alain Miller, referido de forma decidida a Freud e Lacan.
Em seu estatuto, o Conselho do ICP-RJ é consultivo e deliberativo, e tem por função manter a Orientação lacaniana no horizonte e acolher quem chega interessado no ICP e em suas iniciativas. Ele também é responsável pela seleção de um dos cursos oferecidos, o Ciclo fundamental, de modo que o Conselho precisa estar finamente articulado com a proposta do que é o ICP-RJ e para que serve o Instituto.
O Conselho vem trabalhado intensamente para fazer uma torção, a cada vez, na questão sobre a formação no ICP. A pergunta que nos orienta é: o que tem efeito de formação no ICP? Para isto, temos nos perguntado como receber as pessoas que procuram o Instituto. Colocamos a trabalho alguns significantes que recolhemos, como: a procura pelos conceitos fundamentais; um ciclo que seja regular e presencial; e a procura de um lugar que dê contorno ao caos do mundo. Nesta perspectiva, a questão que temos nos colocado – o que tem efeito de formação? – se articula a como ampliar as portas de entradas do ICP.
Entendemos que nossa questão sobre o que tem efeito de formação se guia pela Orientação lacaniana do Campo Freudiano, e vai no movimento de querer saber como podemos conversar com as questões que nossa cidade e as pessoas que vivem nela nos colocam. Portanto, trata-se de uma transferência de trabalho com uma orientação clínica e política que implica em nos apoiarmos em um saber que não se fecha, não por ser insuficiente, mas por ser um saber que leva em conta a própria experiência de análise de cada um quanto a sua própria relação com o saber.
