Categoria: Eventos do ICP

Sobre a Conversação dos Núcleos e Unidades de Pesquisa do ICP

A primeira manhã da XXIV Jornadas Clínicas foi aberta por Maria do Rosário nos convidando a acompanhar os casos trabalhados pelos Núcleos e Unidades de Pesquisa. Cristina Duba nos apresenta o caso trabalhado na Unidade de Pesquisa Clínica e Política do ato, deixando-nos como questão uma indagação acerca da verdade, lembrando que a verdade não pode ser toda dita, pois o que está em jogo é a verdade do desejo, e nesse caso, é o desejo do analista que pode levar o sujeito a uma nova invenção, pois há algo de real que não pode ser dito.

Lenita Bentes comenta o caso apresentado pelo Núcleo de Psicanálise e Medicina, ressaltando o manejo do analista ao propor a objetalização da medicação à objetificação do sujeito, quando da posição de psiquiatra passa à do analista. O que o analista faz é apostar na transferência.

Angélica Bastos apresenta-nos um caso clínico trabalhado na Unidade de Pesquisa Práticas da letra, marcando o lugar do analista para sustentar a construção de uma suplência no caso de uma psicose atendida em um consultório na rua e depois em Caps. Alerta-nos sobre a ética do psicanalista na sustentação de um real impossível.

Vicente Gaglianone comenta o caso de uma criança do Núcleo Curumim, destacando o analista com seu corpo em jogo com o efeito de apaziguamento para o sujeito, permitindo a enunciação de um nome que possa fazer um contorno ao real.

Por fim, e após intenso debate, ficamos com a presença e fala de Marina Recalde, ao nos dizer que todos “são casos que despertam”. Penso que é o analista que se fez despertar em cada caso, pois como disse Marina Recalde “o que se escuta é o analista por todo o lado”.

Monica Marchese (Turma 2014)

Jornada de Conclusão da Turma do Curso Fundamental de 2012

Uma manhã de sábado. Muito mais alegria do que apreensão matiza os minutos que antecedem a apresentação dos trabalhos deste fim de curso fundamental no salão do ICP. Recebo o texto das formandas para melhor acompanhar as leituras. A capa está estampada com uma fotografia de autoria de Cindy Sherman. Esta temática referir-se-á à última apresentação do dia. Entretanto, imediatamente a figura da moça retratada, que aguarda sozinha à beira da estrada com uma mala ao lado, remete-me às colegas que findam este curso, embora não a formação, que continua. No quadro, o horizonte vai longe e a bagagem, permanente obra em progresso, se enriquecerá no percurso singular de cada um que se aventurar nesta estrada, seja na travessia própria, seja também, de carona, na de seus analisandos.

A dinâmica desta jornada embalou a conclusão de curso de seis alunas: Samantha Lemos, Isabel Bogéa, Tatiana Grenha, Ana Cristina Moreira, Anna Carolina Nogueira e Annabel Albernaz.

Os três primeiros trabalhos trataram de casos clínicos e me ocorreu que, na singularidade de cada caso, as analistas souberam percorrer o caminho levando sua bagagem, com atenção aos sinais, leitura da estrada e reescritura do horizonte – combinação de técnica e sensibilidade. Já nos três últimos trabalhos, a releitura dos fundamentos teóricos, buscando dar conta do que hoje nos acomete, foi representada por três instâncias tão caras: o feminino e o Superego, as novas faces do Outro, a arte como fresta do Objeto a – cotejamento e atenção crítica e criativa. Nos seis casos: formação de bagagem – “mala de Cindy”. Boa viagem!

Em vista da qualidade do que foi apresentado, posso compreender então a satisfação inicialmente percebida. Parabenizo as alunas, as coordenadoras, as debatedoras e o Instituto. E mais uma vez pude confirmar o prazer de fazer parte desta comunidade.

Cecilia Castro (Turma 2015)

Para visualizar a fotografia de Cindy Sherman acessar:
http://www.tate.org.uk/art/artworks/sherman-untitled-film-still-48-p11518

 

Resenha da Jornada de Encerramento da turma do ICP 2012

No sábado, 19 de setembro de 2015, houve a Jornada de encerramento da turma do ICP 2012. Foram apresentados seis trabalhos em três diferentes mesas, contando com os comentários de alguns professores do ICP.

De início, Samantha Lemos procurou circunscrever o lugar do psicanalista na escola, trazendo um caso para falar dos impasses e desafios desse trabalho. Em seguida, Isabel Bogéa também apresentou um caso clínico em seu trabalho. Jeanne Marie, enquanto debatedora da mesa, destacou no trabalho de Samantha, o trabalho do analista na cidade, sendo este uma presentificação da psicanálise no mundo.

Na mesa seguinte, Tatiana Grenha apresentou seu trabalho trazendo um caso. Tatiana nos falou sobre o desejo do analista, que consiste em isolar o a –enquanto causa – do i – ideal do eu, assumindo as consequências de uma ética que se sustenta no impossível. Ainda nesta mesa, Ana Cristina Moreira trouxe seu trabalho intitulado “O que fazemos quando fazemos análise?”, sublinhando pontos fundamentais da clínica para pensar os desafios para o analista nos tempos atuais. Ela propôs uma inversão da passagem da verdade ao gozo numa análise, isto é, um caminho que vai do gozo à verdade. Colocou o sintoma hoje como sendo da ordem do real, e apontou para o falasser como sendo o sujeito e a substância gozante. Nos fala de um gozo possível através de uma construção do Outro em análise, e da possibilidade de se fazer um “bom uso” desse gozo, obtendo satisfação no ponto onde o saber falta. Stella Jimenez foi a debatedora da mesa. Sobre o trabalho de Ana Cristina, destacou o surgimento de sintomas sem o inconsciente na atualidade, atravessados pelo discurso da ciência, inviabilizando a produção de um saber próprio do sujeito sobre o inconsciente. A partir disso, recoloca a questão trazida por Ana como título de seu trabalho: como colocar em análise sujeitos que chegam muito atravessados por seu gozo?

Na terceira e última mesa, Anna Carolina Nogueira iniciou apresentando seu trabalho intitulado “Devastação mãe e filha e o supereu”, e trouxe pontos importantes sobre a sexualidade feminina. Colocou a questão: o que perde uma mulher quando perde um amor?, afirmando que o amor amarra algo que é da ordem do real numa mulher. Anna coloca a vertente da devastação e do deslumbramento como estando ambos atrelados ao gozo feminino. Por fim, Annabel Albernaz apresentou seu trabalho sobre a arte de Cindy Sherman, já fazendo uma articulação com o trabalho de Anna, ao afirmar que a arte seria um possível tratamento desse inominável do gozo feminino. Falou sobre o corpo enquanto não-todo, uma vez que algo dele não se inscreve no simbólico, indagando-se sobre como então se faria essa circunscrição. Cindy Sherman faz uso do próprio corpo, produzindo diferentes “imagens do feminino”, e o que ela busca é uma subjetivação desse vazio de significante. Annabel coloca a análise como uma possibilidade de remanejo do gozo da devastação e a arte apontando, no trabalho de Cindy Sherman, uma maneira de lidar com o corpo que é não-todo.

Maria do Rosário do Rêgo Barros, enquanto debatedora, aponta como a saída da castração por parte da mulher tem relação com a devastação. Sugeriu pensarmos não a respeito da perda de um amor, mas sim da busca deste por parte da mulher, como sendo a busca de um significante para fazer suplência à falta. Sublinhou a articulação entre devastação, demanda de amor e supereu feita por Anna em seu trabalho, e sublinhou um ponto importante: o gozo da devastação não se confunde com o gozo feminino. Na devastação, trata-se de um encontro devastado com o não-todo. Em seguida, propôs pensarmos, no contemporâneo, nessa saída devastadora como tendo relação com certo modo de decepção com o pai. Rosário coloca, ainda, que o lado não-todo pode ter tratamento quando referido ao falo, de outra forma é da ordem do horror. Numa relação que não seria devastadora, o amor de um homem é também a possibilidade de uma mulher ser Outra a ela mesma.

Sobre o trabalho de Annabel, Rosário aponta que Cindy Sherman buscou no olhar do Outro o horror que ela vivia em si mesma, como sendo um modo de tratamento desse horror. Não seria uma via, pela arte, de construir uma outra para si mesma? Trata-se de uma saída inventada por Cindy Sherman pela via do sinthoma. Ao se vestir, ela aponta para o vazio, fazendo uma função de semblante que aponta para o real. Cindy revela os semblantes a partir de uma inscrição fálica em suas fotos, uma saída que encontra pela via do feminino e que pode ser, não só, do horror da devastação.

Após a apresentação dos trabalhos, houve um brunch para brindar a merecida conclusão de uma turma causada com a transmissão da psicanálise, o que se fez mostrar na fineza e qualidade dos trabalhos apresentados. Parabéns, turma do ICP 2012!

Mariana Pucci (Turma 2015)

* Todas as menções aos casos clínicos apresentados na Jornada foram retirados em nome do sigilo dos pacientes.

 

Por que o esforço de abrir a porta pesada? Sobre a Jornada de encerramento da turma de 2012

Assisti a Jornada de encerramento da turma de 2012 do ICP: bons trabalhos, a maioria casos clínicos. Um trabalho apresentado provocou a pergunta do que move o analista em seu ato que produz efeitos no analisando, formulada em termos do que explicaria sua coragem.

Angela Negreiros associou o termo coragem, a partir de um caso apresentado, ao esforço de abrir a porta da Escola – mencionada, aliás, por uma colega agradecendo a ajuda do Alcides para abrir a porta pesada e dos professores nesses três anos. Associei coragem ao nosso esforço para estudar e discutir textos de Freud, Lacan, Miller e Laurent às vezes difíceis, àquele de levar adiante nossa análise, de assistir Congressos e trazer para a discussão trabalhos e casos. Essa coragem de abrir a porta pesada vem da ancoragem que a interlocução que se encontra atrás da porta constrói e promove.

Denise Henriques da Silva Abreu (Turma 2013)

Bem-vindos ao Blog dos Núcleos e Unidades de pesquisa do ICP

Caros colegas,

É com prazer que inauguramos um novo espaço virtual do ICP, o Blog dos Núcleos e Unidades de pesquisa do ICP.

A proposta desse blog nasceu de um desejo de ampliar um dos nortes que orientam a atual diretoria do Instituto: que os Núcleos e Unidades promovam uma conversa em torno de suas pesquisas que vá para além deles mesmos, que envolvam outros Núcleos e Unidades e possa repercutir nos variados espaços do próprio ICP.

Que as questões circulem de um Núcleo a outro, reverberem, criem caminhos inesperados que agreguem mais vozes e leitores, e que os frutos desses movimentos repercutam no Instituto, desenhando os rumos de suas investigações presentes e futuras.

E, ainda, que esse seja o espaço de uma memória viva, que se constrói palavra a palavra a partir do que vai sendo incorporado por cada Núcleo e Unidade

Sobre o funcionamento do blog, nele os Núcleo e Unidades passam a figurar como categorias onde todos os textos de determinado Núcleo ou Unidade se agrupam, do mais recente ao mais antigo.

Temos dois menus: um sobre o ICP e outro que reúne todos os Núcleos e Unidades. No menu sobre o ICP, reunimos informações sobre seu funcionamento, sua pesquisa, seus eventos e links para seu site e sobre suas publicações, que formam a série Andamento. No outro menu, encontram-se todos os Núcleos e Unidades em funcionamento, suas informações e programas de pesquisa do semestre, e seus posts.

Com a iniciativa do blog, seguimos numa perspectiva de abertura que inclua outros para além de nossa comunidade, outros que queiram participar conosco dos achados que encontramos em nossas pesquisas e que possam se aproximar da Orientação lacaniana – marca desses achados.

Sejam bem-vindos, como leitores e autores de produções vindas dos Núcleos e Unidades.

 

Maria do Rosário Collier do Rêgo Barros

Diretora Geral do ICP-RJ

Tatiane Grova

Coordenadora da Comissão de Publicação do ICP-RJ

 

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